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Press

Our guest mix for Ben UFO’s show @ Rinse FM, listen from minute 49 onwards.

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5 hours of non-stop mixes on occasion of the label’s 7th anniversary parties in Lisboa. Shouts to NTS for making space available! Click image to listen.

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Words by: Alexander Julin Mortensen

Niagara “Apologia” (Principe Discos)
Trioen Niagara vendte i 2018 tilbage med deres fjerde udspil på portugisiske Príncipe i form af debutalbummet “Apologia”. Albummet – og gruppens musikalske udtryk som sådan – fremstår uden tvivl hjemme på det portugisiske pladeselskab, men adskiller sig fra majoriteten af de mere dansable udgivelser ved i højere grad at dyrke en mere sumpet og semi-psykedelisk musik. Det er det ideelle medium til at fortrænge den bidende kulde og nivellerende gråvejr, da “Apologia” snarere lyder som feberdrømme og hallucinationer, der udspiller sig i hjertet af en imaginær urskov. Et både ekstremt fængende og sært forstyrrende værk.

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Words by: Henry Bruce-Jones

#31
DJ Narciso & Nuno Beats
‘Hino RS’
(Príncipe)

‘Hino RS’ is the standout track from DJ Narciso & Nuno Beats’s excellent debut, Bagdad Style, capturing both the exuberance and the tension that characterizes their sound. Reverb-heavy chords and deep kuduro rhythms are suddenly interrupted by a creeping synthline that momentarily brings the track to a halt, striking an elegant balance between euphoria and anxiety. They might be the newest members of the Príncipe family but this puts the crew up there with the label’s best.

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Words by: Alexander Julin Mortensen

Príncipe has been one of the most prominent labels challenging dominant (Western) norms of dance music by putting out, among other genres, kuduro and batida affiliated electronic music from what seems like a growing number of promising Portuguese producers. “Bagdad Style”, the first EP from the RS Produções crew, is yet another example.

RS Produções began in 2014 and counts producers and DJ’s Narciso, Nuno, Nulo, Lima, Farucox and the MC Pimenta as its members. Consisting of eight tracks, “Bagdad Style” presents the music of DJ Narciso and Nuno Beats, boths respectively and in collaboration with each other. These are some of the more sparse, stripped-down productions to come out via Príncipe and therefore more similar to the minimalistic productions of DJ Nervoso’s 2016-release on the label than the more voluminous, warm and melodic releases such as this year’s “Paz & Amor” by DJ Lilocox or last year’s “Sonhos & Pesadelos” by DJ Lycox.

A track such as “Abertura” is characterised by its hypnotizing melody, constantly and minimally repeating throughout its running time. The melody strikes one as the dominant element, although a playful percussion-beat and simplistic string sample also remains present to the listener throughout the track, adding additional liveliness to it. Melodically and emotionally it is similar to a track such as “Karma” from this year’s “Cranio” by DJ Nigga Fox, without ever tending towards the controlled chaos that characterises a lot of Nigga Fox’ as well as other Príncipe-affiliated artists’ work.

Instead “Abertura” is representative of the overall sound on “Bagdad Style” in the sense that it sounds stripped to the core, applying a minimal amount of musical elements in order to impose a sense of quirky euphoria. Culminating in the closing track “Hino RS”, “Bagdad Style” is filled with musical finesse and creativity, but most strikingly a contagious energy.

However, there is a sort of feature to the music – or maybe more correctly its relation to the space within which it unfolds – which demands the listener’s attention not only towards the energy and mood it invokes, but also towards the movement by which it takes form and its sound as such. The compositions are never completely filled and dense with sound, but always leave a certain space for pauses, breaks and glimpses of an ever present background of silence, and this enhances the clarity of every single musical component. This relation between sound and silence thus helps the listener to equally appreciate the compositional and aesthetics ideas manifested in the music as well as its emotional impact.

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Words by: RA Staff

DJ Lilocox
Fronteiras
(Príncipe)

The common theme of DJ Lilocox’s first full record was rhythm. It’s something the Portuguese artist and his Príncipe peers do exceedingly well, and much of Paz & Amor’s appeal lay in its nuanced batida drum patterns. But on “Fronteiras,” Lilocox added considerable emotional weight, with gentle chords that summoned an evocative late-night mood.

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Texto: Amanda Cavalcanti
Foto: Ricardo Miguel Vieira

Para DJ Marfox, a música das periferias está conectada

A batida, o funk 150 BPM, o footwork: para o produtor, que se apresenta nessa sexta (23) no Orfeu, todos os sons das periferias negras expressam o cotidiano de quem está à margem.

Em 2012, o selo lisboeta Príncipe Discos fazia seu primeiro grande lançamento: Eu Sei Quem Sou, que também era uma estreia para seu autor, o DJ português Marfox. Entre os ritmos frenéticos e inspirados pelo kuduro e kizomba de Angola, Marfox, a Príncipe e a “batida” — nome que se deu ao gênero de música eletrônica afro-portuguesa acelerada, surgida entre imigrantes e seus descendentes nas periferias de Lisboa — cresceram juntos daí pra frente e acabaram, cada um a seu tempo, conquistando o mundo. Marfox já se apresentou em diversos cantos da Europa, no festival do MoMA em Nova York e, nessa sexta (23), chega ao Brasil pela segunda vez para se apresentar na festa Grave Mundial, no Orfeu, em São Paulo.

Mas esse estouro não aconteceu antes que Marfox e a Príncipe tivessem que lidar com conflitos em sua própria cidade natal. Tal como as periferias também estão à parte do centro de Lisboa, a batida também foi sendo colocada à margem dos sons mais populares na capital portuguesa. Em entrevista com Marfox por e-mail, ele conta que é isso o que une os ritmos negros e periféricos em muitos lugares do mundo: o poder de expressar o cotidiano de um meio social que sempre está à margem.

Quando você começou a fazer música? Nessa época, o que te inspirava?
DJ Marfox: Sempre ouvi um pouco de tudo, mas o batida e a sua variante lisboeta entre 2001/2002, criada pelas mãos do DJ Nervoso, serviram e servem até a data de hoje de inspiração.

Qual o contato mais antigo que você lembra de ter tido com ritmos africanos, como kuduro, kizomba etc?
Desde de sempre, não consigo precisar mas o aparecimento do kuduro vindo de Angola na minha vida foi uma mudança drástica.

Como foi formada a Príncipe Discos? Você esteve envolvido com o selo desde o começo?
A Príncipe nasce para dar uma estrutura mais formal à música em Lisboa em relação ao mercado, que não conseguia perceber que existia na periferia uma nova música afro-portuguesa. Em 2007, foi feito o primeiro contato e daí em diante as coisas foram fluindo com certa naturalidade, até chegarmos à concretização do projeto com o lançamento do primeiro vinil e da iniciação de uma residência regular no Clube Musicbox, no centro de Lisboa.

Quando você notou que o som da Príncipe (e a batida num geral) estava saindo de Portugal e se popularizando no resto do mundo?
Depois dos primeiros discos conseguirem cativar a atenção não só de promotores, mas também da própria mídia especializada em música. Acredito que grande momento para mim foi quando a batida tocou no MoMa PS1 pela primeira vez, em agosto de 2014.

De que forma a batida é usada como democratizadora do espaço em Lisboa? O gênero traz à tona questões sociais e raciais?
A batida, sendo uma música quem vem das periferias de Lisboa, foi sendo colocada à parte, tal como as periferias em Lisboa estão à margem do centro da cidade. O feito da batida foi desafiar o que estava pré-estabelecido e normalizado no centro de Lisboa.

Rolam muitos ritmos de alto BPM feito por negros em muitos países – a batida, o footwork norte-americano, nosso funk 150 BPM. O que você acha que esses movimentos têm em comum?
O que existe em comum é que esses ritmos vêm de periferias super desfavorecidas e acabam por ser uma forma de expressividade do cotidiano desses meios sociais. Falando um pouco sobre a batida de Lisboa, a música foi evoluindo juntamente com a dança, porque em cada nova faixa os bailarinos de kuduro/batida inventam um novo passo. Acredito que tanto no footwork como no funk brasileiro se dê esse mesmo fenômeno.

Você já se apresentou no Brasil? Acredita que a colonização portuguesa traga semelhanças entre o Brasil e Portugal, para além da língua?
Será a minha segunda visita ao Brasil, desde já posso dizer que o Brasil é um país lindíssimo e estou ansioso por voltar passados quatro anos. Acredito que lusofonia estará sempre culturalmente ligada.

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