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Words by: Megan Buerger

For tight-knit crews like Príncipe Discos, proximity is everything. Rooted on the outskirts of Lisbon, the niche label of DJs and producers has invigorated the city’s underground dance-music scene by drawing international attention to batida, the percussive, polyrhythmic sound popularized by immigrants from war-torn Angola and other former Portuguese colonies. Príncipe has expanded cautiously, in an effort to protect the community sound from exploitation and appropriation. So what happens when an artist relocates and the collective is forced to relax its grip? In the case of P. Adrix, a young producer who moved from Lisbon to Manchester, England, in 2015, the answer is Álbum Desconhecido, a riveting debut with a dual-citizen sensibility. Selectively fusing his native batida with elements of jungle, grime, and drum ‘n’ bass, he deftly links two hotbeds of electronic music and creates something entirely new.

Conceived in Lisbon’s vast slums and suburbs, batida is a hybrid of traditional African rhythms—Angolan kuduro, kizomba, and zouk, among others—and contemporary electronic dance music. It gained traction in 2012 as Príncipe waded into block parties boasting minimal equipment and big beats. The sound is marked by frantic synths and fierce, choppy drum patterns, its turbulence and dizzying repetition reflecting Lisbon’s tumultuous political climate. As Príncipe co-founder Pedro Gomes told Pitchfork in 2014, “We were looking for contemporary manifestations and evolutions of Angolan and Verdean music that reacted to being from there and now living here.”

But just as emigration from Luanda to Lisbon turned kuduro into batida, so the sound has continued to evolve as it has been carried out of Portugal and into new countries. Nowhere is this happening as radically or artfully as on Desconhecido, which rounds up all of the original ingredients and bakes them in enthralling new forms. It’s reassuring to see Príncipe broadening its horizons; the label has recently supported more experimental projects, like DJ Nigga Fox’s longform acid 12-inch and the unexpected melodies DJ Lycox unveiled in a mix for the Astral Plane. The traditional rhythms underpinning batida still inform these releases, but they no longer exclusively define them. The same can be said for Desconhecido. Moving at a breakneck pace, Adrix takes listeners on a rollercoaster of twitchy techno, whinnying flutes, furious breakbeats, and sensual soul.

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Words by: Hydroyoga

“Freedom is the content. Necessity is the form.”
– Leo Tolstoy

I mean, P. Adrix’s new album just wants you to move, wherever you could be, in whatever sphere of unnameability that haunts you or whatever iteration that recurs in your life, binding it into poetry. However your life fits or chafes against the context of Album Desconhecido’s syntax, however it produces tiny kinks in the flow — like a calcium deposit in a kidney — just move, even if only glancingly. For from there, in that sphere of untouchability, and within that movement, can we, like the name of this album, become, somehow, unknown.

The attraction of these kuduro tracks lies in how they specifically draw attention to how danceable they are, but also how they are rough and jagged and irregular and encoded onto streets and embedded into walls and strewn forth onto cellphones, with no true center for where they exist except the Bandcamp page from which they came and the computer from which they were birthed. Maybe a couple of suburbs of big cities like Lisbon and Luanda could potentially be the cultural center, but they are not, for P. Adrix lives in Manchester. That this album participates in a cultural maelstrom also means that it comes from that same maelstrom — that of the digitally disconnected bodies of producers and dancers and DJs and little kids kicking a soccer ball with this playing on a cellphone and the music enthusiasts in the nightclub listening to this, heads moving, feet moving, eyes in a trance.

It sounds sometimes swampy, or crumply, like a composition notebook dragged onto concrete and forced into a nightclub, or a poster ripped off from its wall and turned into a drum kit. “Viva la Raça” sounds more angelic and lofty than the others, mostly because of its timbre, which sounds tranquil and made of air, or feathers, or whatever material an angel’s wings would be made of — perhaps the hair of God? What binds these tracks is their lack of any true crescendo or climax or conclusion: they just kind of exist, do what they need to do for a couple of minutes, and end, like a spermatozoid that’s lost its way and doesn’t dare ask directions. Any kind of simulation of the Divine or lofty critique of the Establishment will be left for the other music critics to decode. For me, their remote denseness suits us, and the obsolescence of P. Adrix points toward the idea that, in the nightclub, your status means nothing to the music.

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Texto: Rui Miguel Abreu

Nídia em Bordéus, Lycox em Paris, P. Adrix em Manchester: o catálogo da Príncipe não é apenas uma clara montra da batida de Lisboa, é igualmente um mapa da diáspora. A disseminação global do som que a nossa “afro Lisboa” viu nascer sob tantos olhares desconfiados sobre a sua validade estética é uma realidade que resulta de ambição artística — certamente — mas também uma objectiva consequência das naturais necessidades dos que habitam as periferias: não apenas geográficas, mas também sociais ou culturais. Parece haver apenas duas opções: tomar de assalto o centro ou tentar a sorte noutro subúrbio, noutra equação, noutra realidade.

E talvez isso explique a melancolia que atravessa Álbum Desconhecido que P. Adrix agora apresenta na Príncipe e que desemboca no oblíquo assomo fadista de “Tejo”, tema que abre o último terço do alinhamento e que se faz de um loop de cordas que são tão digitais quanto de aço, tão reais quanto imaginadas. Consequência de uma saudade alimentada pela distância? Mais do que provável. Mas tudo isso acontece porque, como será possível até certo ponto inferir pelos títulos, muitos destes temas funcionam como “retratos”: senão de lugares (“Tejo”, “Estação de Queluz”), talvez de momentos (“Zelda Shyt”, “Abertura de Roda”), de sentimentos (“Viva La Raça”) ou emoções (“Ovni”, “Sonhos”).

O “P.” que precede Adrix, esclarece-nos logo na sua abertura o texto que serve de apresentação de Álbum Desconhecido na plataforma Bandcamp, é inicial da palavra Produtor. Poderemos ver na utilização desse designativo o vincar de uma diferença em relação a muitos dos outros artistas do catálogo que não abdicam do prefixo DJ nas suas identidades artísticas (DJ Marfox, DJ Nigga Fox, DJ Lycox, DJ Firmeza…). Ou seja, um criador menos atraído pela gestão da eficácia para a pista de dança e mais interessado na exploração das possibilidades discursivas ao seu alcance? Talvez. O que não significa que P. Adrix descarte por completo a procura de eficácia de pista nas suas criações: logo no tema de abertura, “Zelda Shyt”, o jovem de 22 anos que aos 19 anos se estabeleceu em Inglaterra, procura demonstrar que apesar de ter a cabeça no espaço, a sua música nunca se afasta em demasia da órbita do planeta kuduro, ainda que a sua trajectória elíptica o possa trazer mais perto ou levar para longe da sua força gravitacional. Como acontece, por exemplo, no belíssimo “Estação de Queluz”, que no seu desenho melódico de tons menores revela uma natural saudade de momentos certamente especiais, provavelmente vividos com amigos. E lá está a psicogeografia periférica a assumir um lugar distinto neste tal mapa que o catálogo Príncipe também desenha.

A parte final do álbum, com “Sonhos”, primeiro, “Tejo”, logo depois, mas também “Viva La Raça”, representa o mais importante depósito de tons nostálgicos que pontuam todo o alinhamento. São temas em que o “produtor” assume o comando, com uma óbvia ambição narrativa e discursiva. Adrix não quer apenas agitar a pista, quer também ilustrar os filmes que rodam na sua cabeça e consegue-o com momentos de uma singular beleza: “Sonhos” flutua, literalmente, nos nossos ouvidos, mercê de um arranjo etéreo que parece capaz de nos elevar uns quantos centímetros acima do chão. E “Tejo”, como já sugerido, parece querer agarrar numa ideia tradicional de Lisboa e projectá-la no futuro, como se os Dead Combo de repente colaborassem num tema original com Jlin depois de saírem de madrugada de uma noite Príncipe no Cais do Sodré. O tríptico conclui-se com “Viva La Raça” que ao kick insistente contrapõe uma flauta moldada pela força do MIDI a um crescendo que poderíamos descrever como épico ou dramático.

É um ponto final perfeito para um álbum conciso, mas a transbordar de ideias, a que se regressa uma e outra vez com idêntica e renovada paixão porque há sempre um novo ângulo, um novo gancho que nos segura e nos agarra. Na versão digital há mais um tema bónus a considerar, um autêntico “Tornado” em que a “dikanza” da funda identidade angolana de Adrix é projectada no espaço sideral numa autêntica explosão rítmica a que é impossível resistir.

O catálogo da Príncipe, como o universo de resto, continua a expandir-se, não apenas em tamanho, mas também em ideias válidas para o futuro, fundamentais para o presente. A de P. Adrix resulta num Álbum Desconhecido, mas perfeitamente acessível.

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Words by Lisa Blanning

Lisbon’s post-kuduro batida community has churned out young producers since it first gained international recognition around 2013. But as with any newly popular scene, it can eventually become challenging telling artists apart. Enter P. Adrix. At a time when many immigrants are going the opposite direction, the Lisbon-native moved to Manchester three years ago at the tender age of 19.

There’s no telling what the move did to Adrix’s music, which definitely has its own flavor. It has the sparseness of his Príncipe contemporaries, albeit with different relationship with bass, reflecting a love of hip-hop or perhaps the soundsystem culture so foundational in the UK. It’s booming and elastic in the brief trap breakdown in “Zelda Shyt” and the mantric bounce of “Abertura Da Roda,” which isn’t far from Jersey club. It’s a good foundation for earworm flourishes like the woody clicks in “Estação De Queluz,” the flutey synths and heavy breathing accents of “Viva La Raça” and the sinuous tarraxo groove of “Sonhos.” Like most post-kuduro batida, Álbum Desconhecido is fun and frantic with an oblong funk that outsiders will have a hard time replicating. For Adrix, the way his music rubs against other styles feels most exciting.

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Por Jorge Manuel Lopes

O que P. Adrix aqui apresenta ainda será kuduro, mesmo que os ritmos, indecisos e ansiosos, tenham margens distorcidas e esbatidas, como se tivesse sido expostos aos primeiros álbuns de The Aphex Twin. A melodia, circular, poderia ser de filme britânico de suspense suburbano de uns anos 1960 monocromáticos, atravessando os dois minutos e 43 segundos de tempo de antena como prenuncio de uma psicose que não eclode. O ambiente está saturado mas não sobrelotado. De descendência angolana, P. Adrix nasceu e cresceu em Lisboa, tem 22 anos e vive em Manchester desde os 19. A 23 de Fevereiro chega Álbum Desconhecido via Príncipe Discos.

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By Mike Reid

“Desconhecido” apparently means “unknown” in Portuguese, so it’s safe to assume that, ahead of P. Adrix’s debut release on the Libson-based Príncipe label, the Lisbon-raised producer is battling a wealth of anxieties about the future — beyond simply worrying where the S&P 500 might be at the end of 2018.

First, there’s the unknown-ness of his relatively new home in Manchester, UK, where he moved there three years ago after spending the previous 19 years in Portugal. And second, for just about any up-and-coming whiz kid in their 20s: What the hell am I doing? Is my stuff any good? Am I going to be able to do this full-time without a supplemental side-gig that actually allows me to pay bills and watch HBO programming like an unabashed member of the 1%? (I’m not sure what’s good these days, but GoT is coming back in 2019.)

In addition to the unknowns mentioned above, there’s also something inherent in his kuduro-inspired tunes that speaks to unease and uncertainty. Listen to the track “Zelda Shyt” below for an example this. The way the melody pitch-shifts over the course of the track is basically the equivalent of an animated character moving its eyes from side to side, on the verge of something. We’ll see if P. Adrix is on the verge himself!

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