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Chief Keef – Faneto
DJ Lycox: “This sound works for me as vitamins such is the energy that the music itself offers me. Don’t matter if the day is strange or beautiful, Faneto is always going to put me in a good mood.“

Pop Smoke – Hawk Em
DJ Lycox: “This one is special because since we lost this icon of the drill scene I can’t stop listening to his sounds, and this one in particular propels me to unleash the gangsta inside of me.“

Chief Keef & Lil Reese – I Don’t Like
DJ Lycox: “Usually the Sundays for me are quite calm and boring, and I am a person that enjoys being quiet and serene but not in the morning, so I Don’t Like is the alarm clock jam here in the house.“

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‘Não Fales Nela Que A Mentes’ from Nidia is our pick as this album covers so much we love for all of us; it’s a touchstone for all our different tastes. Start to finish brilliance; Nidia delivers consistently surprising rhythmic patterns embedded in sometimes reflective, sometimes enlivening compositions. The album manages to be spacious yet complex, tense but unconcerned – gliding through 2020 in a way most of us haven’t.

All Hands On Deck is Manchester’s regular open-deck party to allow women, trans and non-binary people to try their hands at DJing out in a low-pressure, all welcoming, and inclusive environment.

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6. Nídia
Não Fales Nela Que A Mentes (Príncipe)

Brilliantly inventive, Lisbon/Bordeaux-based producer Nídia’s crafted a formidable combination of dance music and soul in second album Nao Fales Nela Que A Mentes. Across the album, she explored Afro-Portuguese dance music and percussions, as well as showcasing the growing maturity of her production style and influences. For example, the album’s intro weaves a melancholic, driving beats with silence. Elsewhere, ‘Popo’ moves through the sensibilities of trap, bouncing alongside waves of traditional Egyptian instrumentals, whilst ‘Capacidades’ invokes feelings of joy and nostalgia, all of which feeds into the final fanfare of ‘Emotions’. In just twenty-nine minutes, Nídia sustains, and effortlessly nods at, a wide range of sounds, creating a sensational album along the way.

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Vinyl LP / Digital
Written and produced by Niagara;
Mastered by Tó Pinheiro da Silva, Artwork by Márcio Matos;
Digital release: May, 2020;
Physical release: December, 2020.

VINYL/DIGITAL: Order from us

A1 – 21:44
A2 – Herdeiros
A3 – Tília
A4 – Ano-B

B1 – 46 x 92m
B2 – Ano-C
B3 – Ano-A

PRESS RELEASE (May 1, 2020)

As a sort of introductory discharge, “21:44” announces yet another path in Niagara’s sonic journey. No two records sound alike, as the trio clearly differentiates creative processes and moods. As often before, the tracks arise from countless hours of live jams where those processes are implemented.

The old school ancestral vibe in “Tília” sends the listener back to “Forbidden Planet” territory, not only because of the vintage sci fi feel but also conducive to the kind of psychological turmoil the 1956 movie explores.

“Ano-A”, “Ano-B” and “Ano-C” stem from the same root and all use acoustic percussion to add more organic life to the liquid nature of the music. The resulting sound is simultaneously pregnant with possibilities and fully conscious of a carefully designed map, leaving us adrift in the ebb and flow.

History is dotted with examples of “spontaneous music”, and Niagara themselves promote and incorporate an artificial reality capable of self regenerating and plotting unfamiliar courses. There’s something going on.

Vinyl LP; individually hand-painted sleeve, 350 copies available for the world.

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É verdade que o espírito inquisitivo e verdadeiramente exploratório de Alberto e António Arruda e de Sara Eckerson não lhes permite o “luxo” da imobilidade instigando-os a percorrerem vastos territórios musicais em busca de estímulos que lhes alimentem as ideias e as realizações musicais abundantes que lhes têm expandido a discografia a um ritmo assinalável (cinco álbuns e dezena e meia de EPs desde que se estrearam em 2011, com mais de metade dos títulos concentrados nos últimos 4 anos).

Neste novo álbum, não há um “centro” evidente. Nas notas de lançamento, explica-se que as “faixas resultam de horas infindas de improvisos ao vivo” em que o grupo implementa diferentes processos criativos esperando assim obter igualmente diferentes resultados musicais. Pode concluir-se que a nossa surpresa ao escutar uma nova guinada no caminho dos Niagara seja tão genuinamente franca quanto a dos próprios membros que, claramente, não estabelecem planos que lhes guiem os passos antes de encetarem cada uma das suas jornadas.

Afastados do por eles já bem mapeado terreno da pista de dança, os Niagara propõem aqui uma cartografia mais emocional, ensaiando, logo num primeiro momento, um intrigante cruzamento entre um plano melódico quase new-age e o que soa a uma implosão rítmica que nos dá uma camada de propulsão fragmentada, altamente abstracta. O momento seguinte funciona, de certa maneira, como o inverso, com a percussão que soa orgânica e tradicional (no sentido Giacometti do termo…) a assumir a dianteira e a traduzir movimento, enquanto em segundo plano e em contraponto há um drone em loop que parece traduzir imobilidade. “Tília”, sugerem os próprios Niagara nas notas de lançamento, “remete os ouvintes para o território de Forbidden Planet, não apenas por causa do tom sci-fi vintage, mas também porque se enreda no mesmo tumulto psicológico que o filme de 1956 explora”. De facto, o filme de culto de Fred M. Wilcox, em parte baseado no clássico drama The Tempest de William Shakespeare, teve no pioneiro score electrónico a cargo de Louis e Bebe Barron, o perfeito equivalente “musical”: um conjunto de pulsares e ruídos de absoluta novidade analógica que há quase 65 anos traduziam uma ideia de incerto futuro que então se começava a impor na geração dos baby boomers.

O tríptico “Ano-B”, “Ano-C” e “Ano-A” (por esta ordem, mas entrecortado ainda por um tema de título “46 x 92m”), esclarecem-nos ainda as já referidas notas, “florescem da mesma raiz e usam todos percussão acústica para acrescentarem uma vida mais orgânica à natureza líquida da música”. São três passagens de crescente abstracção em que os elementos percussivos são usados para pintarem a difusa paisagem em que rapidamente somos mergulhados, uma espécie de música exótica para o século XXII, plena de mistério e de ecos de estranhas formas de vida. Como se acabássemos de chegar a um planeta distante e ousássemos os primeiros passos fora da cápsula em terreno perfeitamente desconhecido.

“46 x 92m”, o tal tema que interrompe o fluxo do já mencionado “tríptico”, é um exercício de “quarto-mundismo” que nos sugere uma actualização de algumas ideias que se produziam no Japão digital dos anos 80, quando o DX-7 da Yamaha tanto servia para traduzir novas ideias de espaço como para evocar orquestras de gamelão. É uma vívida tela de tropicalismo pintada em cores de VHS que apetece deixar em repeat do nascer ao por do sol.

“Há algo a acontecer”, dizem-nos, em jeito de conclusão, os Niagara. Há, de facto. E não temos que perceber exactamente o que é para nos deixarmos ainda assim arrebatar.
Rimas E Batidas, May 2020

On ‘Pais & Filhos’, or Parents & Sons, Niagara speak to their influences in a canny, impressionistic way on one of the sweetest Príncipe bits in memory. ’21:44’ sounds like scratchy echoes of ‘SAW VolII’ and the iridescent synth plumes of ‘Tília’ seem to riff of some kind of subaquatic Atlantic Drexicyan mystery, whilst the sloshing rhtyms and golden pads of ‘Any-B’ diffract that 20,000 leagues vibe into Niagara’s lushest run of music across the frothed FM synth voices to Hassellian dream sequences and gorgeous scenes of lilting, rhythmelodic exotica.
Boomkat, May 2020

Ali atrás no mês de Maio de 2020, “Pais & Filhos” saía em formato digital, mantendo a rolar um fluxo editorial em plena incerteza da Primeira Vaga. Agora em vinil, o álbum reapresenta-se ao mundo, também com nova arte de Márcio Matos, e o que escutamos chega-se mais ao núcleo do imponderável estilístico que são os Niagara. Ou seja, cada disco do trio baseado em Loures oferece, desde logo, a surpresa do som, e funciona de facto como documento da fase de exploração em que se encontram. A trilogia de faixas “Ano-A”, “Ano-B” e “Ano-C”, por exemplo, encontra um ponto confortável entre dub, ambientalismo e gravações de campo, ajudando a definir a música como matéria orgânica capaz de se alterar a si mesma. Em torno dessa base evoluem quatro outras faixas, outras tantas sensibilidades que tão naturalmente se focam em tons que nos parecem saídos de um arquivo histórico selecto como descobrem vias que ainda por catalogar. No meio, Niagara ainda únicos.
Flur, December 2020

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Vinyl 12″ EP / Digital
Written and produced by DJ Danifox, DJ Lycox, Puto Márcio, DJ B.Boy;
Mastered by Tó Pinheiro da Silva, Artwork by Márcio Matos;
Released November, 2020;

VINYL/DIGITAL: Order from us

A1. Danifox – Xupetilson
A2. Dj Bboy – Kuribotas
A3. Dj Lycox – 11h na Lisa

B1. Danifox – Aguenta
B2. Danifox & Dj Lycox – Mete o Bass
B3. Puto Márcio – Coisas da Vida

PRESS RELEASE

Danifox says “Aguenta” and crew founder Puto Márcio concludes with “Coisas Da Vida”. These may be words of advice in any circumstance but right now they fit the current assault on our daily lives. Tia Maria are back with a new EP.

Once the most international crew on the label (Lycox in France; Danifox residing in the UK but now back to PT), also a sign of recent times – there was a lot of young emigration from Portugal over the course of the 2010s. File swapping has become ever more the norm between producers who sign their names on collaborative tracks. But shit happens anyway and via WhatsApp it’s irrelevant if you live next door or 1000 miles away: standout track “Xupetilson” speaks about this fellow hot-tempered DJ who couldn’t resist throwing bad vibes around, so Danifox sings “you’re coming to bite me but you’re not a dog.”

Speaking of dogs, they’re out and about when “Mete O Bass” comes to the fore, Dani and Lycox laying heavy metal on the dancefloor; B.Boy keeps the pace with a no-brainer intense beat track (“Kuribotas”), while Danifox, again solo on “Aguenta”, works around a dark, urban, rainy soundscape, going off on a jealousy trip with samples of “you showed contempt, you didn’t nurture, so now deal with it”. And Lycox seems to drive around town at night, calling Lisboa by the well-spread nickname Lisa, just out to dance or going from party to party

This law of Tia Maria represents the core of batida styles, bowing out with the usual heart-breaking grooves of Puto Márcio. When life is sad, make it beautiful.

Vinyl 12″ EP; individually hand-painted sleeve, 500 copies available for the world.

+

“Xupetilson”, um dos raros temas vocalizados na Príncipe, assinala um bife entre DJs amplificado pelas redes. Tudo bem, a canção serve para exorcizar o peso. A voz de Danifox em tom cândido mostra boas intenções e convoca a união da Tia Maria. Este house progride com riqueza harmónica numa simplicidade desarmante pontuada pelos breaks expressivos a meio do ritmo. Não tão regenerativo em “Aguenta”, uma malha de neura e ressentimento, com o barulho da chuva a mandar a dica de que alguém se portou mal e, portanto, fica à porta. Dani + Lycox fabricam bomba em “Mete O Bass” e B.Boy segue perto com “Kuribotas”, um kuduro em tempo de house directo para a pista. Ainda há o instrumental motivacional e de sorriso na face que é “11h na Lisa” (DJ Lycox), a transbordar esperança em qualquer coisa que acontecerá depois de estacionar o carro. No final, Puto Márcio e “Coisas Da Vida” puxa em dois sentidos, de novo a esperança pelo bom que virá mas também a melancolia pelo bom que já foi. Talvez já o tenhamos escrito a propósito de outras edições na Príncipe, mas: Música Moderna Portuguesa.
Flur, December 2020

Six years since their formative 2014 debut, on ‘Lei Da Tia Maria’ the group rally around a need for vocals and rude grooves that keep heads up above the madness of the world in 2020 and beyond. Like their first record, all tracks were written and sent over messaging apps from respective bases in Portugal, France and UK, and each testifies to the enduringly positive links between the young Angolan-Portuguese diaspora who have emigrated from Portugal during the 2010’s.

The crew’s 2nd volley channels their concerns and hopes into resolutely upfront dance music primed for better times. On EP standout ‘Xupetsilon’ Danifox shrugs off snide DJ politics, crooning what translates to “you’re coming to bite me but you’re not a dog” over deep blue chords and pendulous batida drums, while conjuring bleaker, rainy scapes that suit the mood of his lyrics about jealousy and and contempt in ‘Aguenta’, but lets the music do the talking with remarkable results nodding to Drill and bittersweet computer music tones alongside co-producer DJ Lycox on another big one, ‘Mete o Bass.’

Lycox also supplies a romantic kiss to his home city, Lisbon, or “Lisa” as it’s affectionately known, in the lissom shuffle of ‘11h na Lisa’, which shares a svelte lilt with Puto Márcio’s slower, melodic chops in ‘Coisas da Vida’, and DJ B.Boy keeps the vibe tilting up with ‘Kuribotas’, a scudding Kuduro zinger with direct, incendiary effect comparable to P. Adrix bits. Always killer, right?
Boomkat, December 2020

The daily aggressions that we suffer are sometimes difficult to deal with, especially at a time when we remain confined to our own problems and those of our immediate surroundings. Tia Maria, a certified dream team, has the recipe to expunge our pain and take a little musical respite in a good dose of dirty batida and hot-tempered DJs, ones who can’t resist sumberging themselves in the bad vibes. A prime example of this happened when Lisbonian Danifox, now based in Leeds, England, returned to his native land where he saw the local electronic effervescence of Lisbon’s immigrant neighbourhoods, which went on to influence the already flagship track “Xupetilson”: “you’re coming to bite me but you’re not a dog” or on “Aguenta,” “you showed contempt, you didn’t nurture, so now deal with it.“

Officially, Danifox has only a year’s experience in the game, but that hasn’t stopped him from finding his place alongside the other early geniuses of the Tia Maria Crew, Puto Márcio, DJ B.Boy and DJ Lycox (based in France). With their kuduro and baile funk rhythms propelled into a dark, urban soundscape shared remotely between producers on WhatsApp files, the DJs continue the tradition of exchanging records outside mainstream circuits, and embody the batida spirit of the early days.
Pan-African Music, December 2020

Le crew à la fois très international, mais aussi complètement lusophone Tia Maria Produções est de retour avec un nouvel album qui fait resonner une loi amère et piquante, une loi douce et dansante, une loi qui, si vous jouez trop avec, finira par vous clouer les doigts avec des attaques synthétiques, vous crucifier à sa pochette avec un beat bien senti, la loi de Tia Maria, mieux, la Lei Da Tia Maria !

Sur ce nouvel EP, on retrouve DJ Danifox, et son acolyte Lycox, mais aussi DJ B.Boy et l’un des piliers du groupe, Puto Márcio, qui tous quatre alignent des beats qui martèlent leurs cadences à la vitesse du battement cardiaque d’un athlète à l’entraînement, ou d’un obèse après une marche un peu vive. Ils laissent couler des synthés en cascades dans un bassin de basses bouillonnantes. Oui, on retrouve sur cet EP la force du batida, cette tempête lascive et électronique, celte douceur lusophone un peu sèche, ce grand tournoiement doucereux qui vient enrober un cœur sauvage et brutal, bien dissimulé par les effets et les machines !

Oui, derrière ces atours électroniques parfois un peu rudes, on retrouve sur ce Lei Da Tia Maria de Tia Maria Produções, qui vient de paraître sur le label lisboète Príncipe, tout ce qui fait le sel de la musique lusophone que l’on aime, de la bossa à la batida, en passant par la morna, le kuduro et la tarraxinha… cette douceur, cette beauté, encerclée par la tempête.
Djolo, December 2020

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