Digital Re-Release of “Dj’S Do Guetto Vol. 1” – sleeve and context

Get this! As we’ve been supporting new talent for the whole of 2012 through our monthly parties at Musicbox, though not forgetting some of those who influenced the younger guys, so we are re-releasing the mythical 2006 compilation that shaked Lisbon’s perifery and a considerable part of the afro-portuguese community who likes to party. You see, Dj’s Do Guetto (or Di Guetto, in natural creole) spawned Piquenos Dj’s do Guetto (PDDG), producing through CDM. If you follow us, you are familiar with them. Check some true 2006 sounds here. Anyway, complete explanation about this timely re-release below the fresh 2013 compilation artwork by our man Márcio Matos. We are heading to the party soon.

DJs Do Guetto Vol 1

V/A – Dj’s do Guetto Vol. 1
Edição de autor, digital; 2006
Reedição Príncipe Discos, digital; 2013
Príncipe Reedições #001

PORTUGUÊS (please scroll down for English version)
Saído no primeiro dia de aulas, a 18 de Setembro de 2006, ‘Dj’s do Guetto Vol. 1’ é um marco crucial na história da música de dança nacional. Não só terá sido dos primeiros discos em solo português a espalhar-se de maneira rapidíssima e vasta através de meios digitais, como juntou seis preponderantes produtores, herdeiros de tradições que caminhavam, e caminham até hoje, num ângulo exclusivo a Portugal.
Marfox, Nervoso, N.k., Fofuxo, Pausas e Jesse eram há sete anos gente a processar as informações vindas do kuduro, da tarraxinha, do house e do techno, que tornaram, de maneira decisiva, num idioma próprio. Formaram, durante este momento no tempo, um colectivo que unia várias zonas da Grande Lisboa e arredores, entre as suas residências e os liceus por onde andaram – Portela, Chelas, Quinta do Mocho, Quinta da Fonte, Sacavém, Massamá, Damaia, Barcarena, Reboleira, Cacém, Queluz, Fonte da Prata, Barreiro e Paço de Arcos. Em pouco tempo era normal ouvir este som a sair de leitores de MP3 e carros com sistemas de som ambiciosos, não só pela capital como pelo resto do mundo luso-africano.

Os temas que rolam por estas mais de duas horas de música explosiva são essencialmente arquitectados nos instrumentais. Batida kudurista implacável com BPMs dos 130 para cima, com espaço para o ocasional tarraxo, funaná e kizomba. Soam, ainda hoje, como trabalhos claramente visionários e precoces, se pensarmos que os músicos tinham todos menos de 21 anos na altura. Como sempre, Lisboa permanece um porto, e foi aqui que se cruzaram a música angolana electrónica, a cultura de discoteca fora do coração da capital, um enorme apreço por graves, e tanto a festa quanto a melancolia do bairro e do subúrbio.
Impressiona a precisão e cuidado com o impacto sonoro, controlado ao milímetro para maximizar em qualquer coluna a brutalidade do ritmo, que é a essência destas composições e o elemento que tudo transforma (sirenes de alarme, teclados de filme de terror série B, kalimbas, vozes cortadas, mutiladas e recortadas outra vez). Entre épicos universalistas, trabalhos de pura austeridade percussiva e amelódica, ataques cerrados em direcção à tontura e à palpitação cardíaca, há uma clara sensação de querer imaginar uma música tanto para os amigos como para um planeta pelo qual ainda falta viajar. Está também aí a sua força, e, habituemo-nos, a sua beleza.

Escusado será dizer que ‘Dj’s do Guetto Vol. 1’ bateu e muito, para muita gente. Está para sempre na fundação do que faz a música de dança afro-portuguesa, e continuará a informar o seu futuro, que o presente está tão vivo, e quase todos o que o fazem ouviram este álbum com a maior atenção.
Mas há muito mundo que ainda não ouviu estas 37 faixas, e ainda há mais mundo que deve passar a ter melhor maneira de entender uma história tão importante e recente do que faz a música produzida cá, agora. A história ainda vai nova, mas já temos música crucial para trás que é necessário saber de onde veio, por que razões, porque é que é como é e o que causou. E à qual há que regressar ou passar a conhecer, que tudo o que está contido nestes sons soa tão fresco hoje como no dia de regresso à escola em Setembro de 2006.

Esta reedição digital gratuita contem os ficheiros que sobreviveram a vários PCs que tragicamente faleceram, ficando perdidos aparentemente para sempre os ficheiros WAV e os projectos de Fruity Loops (e outros programas) onde estas músicas nasceram. Como tal, procurámos encontrar os ficheiros com melhor qualidade áudio para cada MP3 que agora vos disponibilizamos gratuitamente.

O título presente na capa original desta compilação aparece escrito como sendo da autoria dos “Dj’s do Guetto”, contudo popularizou-se através do seu nome acriolado, presente no título de cada ficheiro partilhado – “Dj’s di Guetto”. Escolhemos preservar as duas variantes de acordo com a forma original desta música.

A capa original é da autoria dos Dj’s Do Guetto.
A capa da reedição de 2013 é da autoria de Márcio Matos.

V/A – Dj’s do Guetto Vol. 1
Self-released, digital; 2006
Príncipe Discos reissue, digital; 2013
Príncipe Reissues #001

ENGLISH
Released on the first day of school, 18th September 2006, ‘Dj’s do Guetto Vol. 1’ is a crucial landmark in the history of Portuguese dance music. Not only was it one of the first few albums released in this country that spread itself in a very quick and vast manner through digital media, but it also united six prominent producers, inheritors of traditions that have been working in mutating geometries which are exclusive to Portugal.

Seven years ago, Marfox, Nervoso, N.k, Fofuxo, Pausas and Jesse were people processing the information coming in from kuduro, tarraxinha, house and techno, that they definitely turned into their own idiom. During this moment of time they formed a collective uniting several areas of Greater Lisbon and its surroundings, between where they were living and the high schools they attended – Portela, Chelas, Quinta do Mocho, Quinta da Fonte, Sacavém, Massamá, Damaia, Barcarena, Reboleira, Cacém, Queluz, Fonte da Prata, Barreiro and Paço de Arcos. After a short while it was commonplace to hear these sounds coming out of MP3 players and cars with ambitious soundsystems, not only in the capital but also throughout the afro-portuguese world.

The tracks that make out the more than two hours of explosive music presented here are essentially grounded in its instrumentals. Ruthless kuduro beats going at least at 130 BPMs and over, with the occasional tarraxo, funaná and kizomba in the mix. Still today they clearly sound like visionary and precocious works, if we think that these musicians were all under 21 years old at the time. As always, Lisbon remains a harbour, and it was here that Angolan electronic music, the disco culture outside of the heart of the city, an enormous fondness for bass, and both the party and the melancholy of the projects and the suburbs met.
The precision and care with the impact of the sound is impressive, millimetrically controlled in order to maximize the brutality of rhythm in any set of speakers. Rhythm is the essence of these compositions and the element that is all-transforming (alarm sirens, horror movie keyboards, kalimbas, cut-up voices, which are mutilated and cut-up again). Ranging in vibe and territory through universalist epics, works of pure percussive and amelodical austerity, grinded attacks towards dizzy spells and cardiac problems, there is a clear feeling here of wanting to imagine a music for your friends but also for a planet that is as yet untravelled. It is also there that this music’s strength resides, and, let’s start to get used to it, where its beauty comes from.

Needless to say that ‘Dj’s do Guetto Vol. 1’ hit hard on a lot of people. It is forever in the foundation of what constitutes afro-portuguese dance music, and it will continue to inform its future, as its present is so alive, and nearly everyone that is part of it heard this record with close attention. But there is a large piece of world yet to hear these 37 tracks, and there’s even more world that should now have a better way of understanding a history as important and recent of what makes out the music produced here and now. This history is still pretty much new, but we already have crucial music behind us which genesis is necessary to know, where it came from, for what reasons, why it is how it is, and what it caused. And music one must return to or get to know, as all which is contained in these sounds is still as fresh today as it was in the day the kids got back to school in September 2006.

This free digital reissue contains the files that survived PCs which have tragically passed away, the WAV files and Fruity Loops (amongst other software) projects from where this music was born out of and apparently lost forever. Being as it is, we tried to find the files with the best audio quality for each MP3 we now make available to you.

The title present in the original artwork of this compilation is written as being by the “Dj’s do Guetto”, though it was popularized through its creolized name, which is present in the titles of each shared file – “Dj’s di Guetto”. We chose to preserve the two versions in accordance with the original form of this music.

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